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TELMA GADELHA, Rio de Janeiro

Pintura

SOBRE OS TRABALHOS

Todos Nós, Contraforte

Sou médica de formação e há cerca de oito anos me dedico também à pintura.

Em 2018 produzi a série santinhas, pequenos retratos inspirados nas imagens de manifestantes mulheres encapuzadas, verdadeiras madonas mascaradas.

Em 2020, por ocasião da quarentena, resgato esse pequeno formato (15 x 10 cm) com produção de uma extensa série de pinturas, Todos nós Contraforte. São retratos de indivíduos utilizando as chamadas máscaras de proteção. Estão aí representados diversas profissões e grupos sociais: profissionais de saúde, pessoas simples, políticos, soldados, bombeiros, crianças, celebridades, super- heróis. Não me ative às mascaras anti-infecciosas, preferindo investigar diversas situações em que se filtra de alguma maneira o que entra e sai de nossas vias aéreas, fosse em manifestações, epidemias, castigos a escravisados, práticas religiosas ou sadomasoquistas. Algumas montagens foram testadas, em algumas parte das telas estão emborcadas, podendo sugerir a presença dos que se foram.

É a máscara que deforma? Ou é a doença? Atravessamos o paroxismo do capitalismo, quando a decrepitude e a mordaça, a grisalha decadente e o controle fusionam em uma única e mesma coisa. Trata-se de um rito de passagem, em que nos deparamos com a máscara da morte, a própria Medusa, simultaneamente barreira e umbral entre o reino dos mortos e o mundo dos vivos.

Pulsam então: vida e morte, morte e vida. Marilyn Monroe, Padim Cícero, um mendigo, o Homem-Aranha, todos estertoram e se mascaram diante do controle. Tornam-se mais e menos que humanos. De um lado porque apaga-os a grande soma: estão juntos estando separados, fazendo legião viram multidão, massa informe. De outro lado, extingue-os a grande subtração: a máscara retira algo de sua humanidade, talvez seu poder de fala.

Mini Bio

Nascida em Salvador e crescido em Fortaleza, Telma Gadelha vive no Rio de Janeiro há mais de 30 anos. Desde os anos 1990 trabalha com artes visuais, mais especificamente desenho e pintura. Em seus trabalhos expressa a convulsão da cidade, a população em situação de rua, o lixo, o meio ambiente. Em 2020/21, durante a crise sanitária que atravessamos, desenvolveu um grande número de pinturas, no que vem a ser a série Todos nós contraforte. São pequenos retratos de figuras humanas com suas barreiras de proteção/submissão. Do caos urbano passa-se à catástrofe da pandemia e às novas formas de convivência.

Observação da organização:

Os trabalhos expostos na exposição virtual, podem sofrer alterações de tamanho para não ficarem prejudicados a visualização pela web.