STÉFANI AGOSTINI

SOBRE O TRABALHO


Ao estabelecer uma poética em torno

da ausência materna, a produção se dá no entrecruzamento de técnicas contemporâneas e tradicionais. A história de si, é canal para a alteridade, ao abordar a experiência do abandono materno, fenômeno de cunho social e cultural. Os guardados herdados da mãe que abandonou-me aos três anos, com origem no papel, cartas, fotografias e documentos, são recondicionados a ele.Produz-se no entrecruzamento entre linguagens, onde a monotipia é considerada parte do campo expandido da pintura. A presença materna influenciou quem eu era, e sua ausência interfere em quem eu sou. Nossas vidas são moldadas tanto por aqueles que nos deixam, como são por aqueles que permanecem. O passado é sobreposto ao presente, no momento em que se vê o espaço vazio daquele que, um dia, ocupou este lugar. A ausência materna é convertida em presença a partir do momento em que é para ela que olho.


Evoca-se a presença através ausência, onde esta torna-se tangível. Sua imagem torna-se paradoxalmente a presença da ausência, no momento em que se tece através de nossa presença.
 


MINI BIO
 

  • Artista visual. Mestranda em Artes Visuais na linha de pesquisa Arte e Cultura pela Universidade Federal de Santa Maria, é bacharela em Artes Visuais, com ênfase em Desenho e Plástica pela mesma instituição (2018). Integrou o Ateliê de Pintura 1336, com orientação de Alphonsus Benetti. Possui obras em acervo, como o acervo do Museu de Arte de Santa Maria, do projeto Arte In Bag/UFSM e do acervo do Prêmio IBEMA de Gravura -Curitiba/PR. Realizou exposições no Brasil e no exterior, através de editais e prêmios. Prêmio aquisição do XV Salão Latino Americano de Artes Plásticas, integrou o Circuito de Arte Contemporânea de Curitiba/PR (2019) e o IV Salão Alagoano de Arte Contemporânea (2018). Representada pela galeria AIREZ - Curitiba/PR (2017). Membro do grupo de pesquisa Processos Pictóricos/CNPq, e do Grupo de Pesquisas SIGNUM/CNPq. Atualmente integra o Conselho Municipal de Políticas Culturais da cidade de Santa Maria - RS.

  • A partir da experiência pessoal de abandono materno, busco modos de figurar a ausência, tendo como gênese o arquivo de fotografias, os documentos e as cartas, todos herdados da mãe ausente. Na criação, utilizo processos digitais, associados a processos analógicos. Diferentes práticas e procedimentos perpassam a poética, desde a manufatura do suporte, membrana que conduz as figurações da ausência materna, até a monotipia, associada à meios digitais e compreendida como parte do campo expandido da pintura. Na série “Figurações da ausência”, em desenvolvimento no PPGART – UFSM, a imagem da mãe infante, que é subtraída, e preenchida pelo vazio, torna-se oportunidade para que sua ausência se teça em nossa presença.

 

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