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TRABALHOS

Algo de concreto em minhas mãos - 2022

Tríptico. Fotografia digital em impressão jato de tinta.

Nada de concreto em minhas mãos - 2022

Fotografia digital em impressão jato de tinta.

sobre ambas:

Nessas duas obras complementares porém independentes busquei criar uma tensão entre as noções de concreto e de pó (no caso, do mesmo material). De um lado temos o concreto, elemento característico do ato de construir. É sólido, corpóreo, denso. Existe. Do outro, o seu pó, presente tanto no ato de construção como de destruição. É tenro, instável. Se esvai. Ao trazer o concreto, porém em formato de pó, propõe-se em ambas as obras um paradoxo entre o tangível e o etéreo. Se na primeira um gesto neutro evidencia esse paradoxo proposto, na segunda um jogo gestual traduz a tentativa frustrada de estruturar aquilo que apenas se desfaz.

Cair do dia - 2022

Vídeo. Duração: 1.1’, 21x13cm.

sobre:

Na obra “Cair do dia” busco dar luz às histórias de resistências ao processo de verticalização das cidades, relatos daqueles que no intuito de preservar seus cenários e as memórias e afetos ali contidos, ficaram literalmente à sombra de tudo que se avizinhou. Para as casas que não caíram, nem mesmo a luz dos dias permanece igual. “Antes aqui batia sol. Não bate mais.”. Nesta vídeo-instalação trago uma situação cotidiana cujos elementos vão aos poucos sendo substituídos por blocos acinzentados. A despeito de tudo, algo ainda resta.

Segurou bem forte entre os dedos o que já não existia - 2021

Caixa de vidro com as laterais vazadas, 14x20.5x5cm.

sobre:

Em Azinhaga busco tocar a relação indissociável entre histórias de vidas e os espaços físicos onde ocorreram essas histórias. Toda memória tem seu cenário. Se, por um lado, com os processos históricos que inevitavelmente transfiguram as paisagens, muitos lugares passam a apenas existir na memória (e nas fotografias antigas), por outro, os espaços físicos que serviram de palco, e os próprios materiais que deram corpo a esses espaços, e que foram sendo soterrados, arrancados, empilhados, também contêm as memórias que por eles passaram. Invisíveis a olho nu, mas presentes como espectro.

Tentou em vão apagar o tempo - 2021

Fotografia digital em impressão jato de tinta, 60x90x4cm ou 40x60x4cm.

 

MINI BIO

A artista visual Salua Ares vem desenvolvendo sua produção artística através de práticas híbridas que se irradiam a partir da fotografia. Seu interesse tem se voltado para os apagamentos. Apagamento de histórias, espaços, identidades. O que resiste ou fenece, afinal? Em seus trabalhos, Salua explora tanto o objeto, quanto a fisicalidade da matéria, uma vez que os entende como mediadores da relação humana com o mundo. Utiliza-se de uma estética minimalista como contraponto a uma sociedade cada vez mais caracterizada por excessos e encontra no rigor da geometria uma alusão ao controle que o homem busca ter sobre todas as coisas. Com seu trabalho entitulado “Azinhaga” participou em 2021 do Festival de Fotografia Experimental (Barcelona/ES) e do Pequeno Encontro da Fotografia (Pernambuco/ BR). Atualmente integra o Programa de Estudos Avançados em Fotografia do Fotô Editorial, ministrado por Eder Chiodetto e Fabiana Bruno e, há três anos, faz parte de grupo de estudos orientado pela artista visual Sylvia Sanchez. Salua é formada em Ciências Econômicas (INSPER – 2007) e em fotografia pela Escola Panamericana de Arte (2017).