ROSE

AGUIAR

e a sobrevivência da imagem . fotografia

Curadoria Vilmar Madruga


 

Diante do acúmulo de imagens a que o homem moderno passou a ter acesso, ao olharmos para o trabalho de Rose Aguiar, podemos pensar num pós-vida ou sobrevivência da imagem como nos ensina Didi-Huberman. Um dos aspectos mais instigantes da fotografia de Rose Aguiar reside nesta espécie de apagamento da primeira função da imagem como documento do real, isto é, algo portador de informação. Em sua gramática própria a fotografia de Rose Aguiar se afasta da idéia fundante da presença do objeto em sí e inaugura novas dobras a partir de seu olhar sobre ele. Neste esgarçamento do poder informacional da imagem é que se dá sua pesquisa como podemos ver em sua trajetória e agora mais claramente, nesta exposição. A artista investiga a aparência de elementos distintos da matéria como o sólido, o líquido e o gasoso,  quase como conteúdos simbólicos de subversão da função da imagem como simulacro, registro ou cópia do real. Uma grande escova de lava-jato desliza sobre o para-brisa de um carro. Uma panela de água fervendo, um papel alumínio sobre a chapa de um fogão, as águas agitadas de uma piscina ou as pedras de um rio, são corpos que perdem sua identidade para servir a imagem e contaminá-la com uma nova significação.  Essa corporificação atualizada do objeto vai além de seu reconhecimento imediato e amplia a distância entre a noção primária que temos das coisas e o que nos é revelado sobre elas. Assim, como lembra Leila Danziger, esse desejo de imagem é carregado por um desejo de apagamento, de ruína, de desconstrução da imagem. Só há imagem em perigo.  E o trabalho de Rose Aguiar nos dá notícia dessa expansão perigosa. Provocativa. Extremamente poética.

Vilmar Madruga, 2021

Inauguração dia 10 de fevereiro de 2021.

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