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O CÉU                

NO

CENTRO 

DO  SEU 

O L H AR

ocupação de NINA LUA

 

Um cheiro de barro, fósforo,  chumbo e peixe percorrem estes setenta e sete metros de corda pelo espaço. O mesmo tempo de ocupação e limpeza étnica da Palestina.

Quantas cordas sustentam um tempo?

Tempo que contorce o corpo.

Torce o mundo coberto de lama.

A mesma corda que testemunha outros conflitos na pequena colônia de pesca onde Nina Lua encontra refúgio, depois de morar na Palestina com os olhos da antropóloga voltados para a violência e o silenciamento sofridos por um povo.

Agora, contudo, há uma outra urgência no interesse da artista.

A poética de um corpo minado  próximo de encontrar seu destino, atingido por uma explosão , em alguma esquina ou debaixo do próprio teto.

 

"Se devo morrer 

Deves viver para 

contar minha história

para vender minhas tralhas 

para comprar um 

pedaço de pano 

e algumas cordas."

 

Há um assombro diante da morte repentina e sem despedida como nos versos de Refaat al-Areer, jovem poeta morto em 2023 por uma bomba com nome de genocídio. 

E o pequeno corpo de Nina Lua quase tão delicado quanto o de tantas meninas 

árabes, explodidos em nome de um deus que não era o delas, percorre escombros, paisagens desoladas, oliveiras incendiadas.

A artista sabe que se alguém deve morrer ela deve contar sua história. 

 

Vilmar Madruga 

Curador

 

Se devo morrer 

Instalação c/77 m de corda de nylon coberta de argila. O título faz referência ao poema de Refaat Alareer.



 

Fevereiro de 2025

NINA LUA FAZ PRIMEIRA INDIVIDUAL NA GALERIA EIXO RESERVA 

 

A artista Nina Lua ocupa a Galeria Eixo Reserva na próxima segunda a partir das 19h e de terça a quarta das 9h até 22h.

Se devo morrer é o título da instalação da mostra O céu no centro do seu olhar,   na qual Nina percorre o espaço com 77 metros de corda de pesca coberta de argila. 

A medida faz referência ao tempo no qual a Palestina vem sendo ameaçada pelo genocídio. 

No texto de  apresentação da mostra o curador Vilmar Madruga fala sobre a poética de um corpo minado prestes a encontrar seu destino.

O trabalho foi concebido durante a participação da artista em Processos Artísticos, coordenado pela Eixo Arte Contemporânea e que tem Bianca Madruga e Vilmar Madruga como coordenadores. 

 

Minibio

Nina Lua é artista e antropóloga. Nascida em Maringá no Paraná, vive e trabalha em Niterói onde participa como artista de vários coletivos culturais como a Oficina de Arte dos Pescadores em Piratininga e o Quilombo do Grotão no Engenho do Mato. 

Em seu trabalho como ceramista Nina propõe um contato livre com o barro buscando a despretensão na produção de objetos. 

Em suas pesquisas e esculturas a artista investiga os sentimentos, silêncios, rachaduras, violências e possibilidades de vida.

 

SERVIÇO:

ABERTURA

Dia 17 de fevereiro (segunda) às 19 horas

 

ENCERRAMENTO
Dia 19 de fevereiro (quarta) às 22 horas

 

REALIZAÇÃO

EIXO Arte Contemporânea

 

APOIO
EIXO Arte Contemporânea e Reserva Cultural Niterói

 

Galeria EIXO RESERVA

Reserva Cultural de Niterói

Av. Visconde do Rio Branco, 880 - São Domingos, Niterói - RJ

 

Estacionamento no local

Crianças somente acompanhadas pelos responsáveis.

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