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“Eu, a casca e a coisa”

 

13 minutos de Saturno devorando seu filho. 

Moldo este objeto corpo com minhas mãos. Ele encaixa em meu colo, encaixa em meus braços, meus seios e pescoço. O encaixe é afetuoso, e o afeto assusta. Devoro aquilo que criei, destruo a vontade e permito que ela me inunde por instantes. Me deslumbra a autonomia de um corpo e suas estratégias de deseducação. O afeto e o ódio residem em polos diferentes da mesma escala.

Começar a se entender enquanto corpo não binário/trans é questionar esse corpo. Para explorar  outras formas de vivenciar a corporalidade busco o grotesco, o animalesco, para afirmar que meu corpo é voraz. Me interessa muito mais então, que ele seja percebido assim, enquanto corpo animal, do que percebido na caixa do gênero. Que ele seja percebido por suas práticas e por suas ações, pelo vir a ser. Me interessa que estas práticas regurgitem uma certa noção de normatividade, que elas não abracem, mas que as estranhem.

 

 

MINI BIO

 

Monique Huerta nasceu em São Paulo, 1998. É bacharel em artes visuais pela Belas Artes de São Paulo. Sua pesquisa gira em torno de objetos de encaixe em suas conectividades não binárias e a possibilidade da escultura como potencial vivo de contato. Investigações acerca da passivo-agressividade e do embate de forças são lugares pensados dentro da linguagem da instalação, escultura, video arte e performance. A criação de um universo macio e ao mesmo tempo perverso flerta com a ludicidade de um passado onírico que não parece pertencer ou encaixar, e é habitado simultaneamente por feridas agressivamente terrenas ou sexuais. 

Participou de exposições como Transespécie - MUTHA, Museu Transgênero de História e Arte (2021), “Rastros & Apetrechos” - Festivau de C4nn35 (2020), Abraço Coletivo - Ateliê 397 (2019), 14 Curta 8: Festival Internacional de Cinema Super 8 de Curitiba - Espaço Cultural Caixa (2018), entre outras. Em 2019 participou da residência Temos Vagas do Ateliê 397 e em 2021 participou da Bica Web Residência.