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MÔNICA LÓSS, São Paulo

(conteúdo retirado do portfólio da artista)

SOBRE A SÉRIE

Nômad[a]s

Mover-se de um lugar a outro, buscando novos começos e melhores condições de vida é um aspecto que pode ser considerado intrínseco à condição humana. Ser nômade, desde o entendimento mais arcaico desta palavra, até o mais moderno, pode acontecer por diferentes razões, seja pela necessidade ou por escolha. O certo é que existe um desejo que nasce nas profundezas, bem nas estranhas, lá onde tudo sobre os caminhos são minuciosamente elaborados. Nômades abandonam suas casas, levando consigo o essencial e o demais vira abandono, o resto de uma memória que o tempo se encarregará de apagar.

Foi lançando o olhar a estes abandonos, que a pesquisa da série “Nômad[a]s” passou a ser desenvolvida. Nômad[a]s aparece com esta grafia como uma maneira de propor outro olhar para esta questão a fim de criar uma narrativa referente ao nomadismo e ao feminino nestes processos repletos de camadas, feitos de lacunas, ausências e vazios. Por isso, a “necessidade de colocar no feminino tudo o que há de envolvente e de suave para além dos termos simplesmente masculinos que designam nossos estados de alma”1, para problematizar sobre deslocamentos de todas as ordens.

A raiz desta pesquisa surgiu a partir do reencontro/encontro com “padrões têxteis” (em torno de 80 tecelagens com dimensões que variavam entre 15 cm x 35 cm), pequenas tecelagens que haviam sido produzidas por mim em 2005 e que ficaram guardadas/perdidas por quase 10 anos. Quando esse material foi encontrado, iniciei um processo onde precisava dar um novo sentido a tudo aquilo: por um lado, os guardados, como aspectos relativos à memória/esquecimento e,

1 Bachelard, Gaston. A poética do devaneio. São Paulo: Martins Fontes, 1988 p. 29

por outra parte, o novo que precisava surgir como desdobramento para criar uma outra narrativa, desvelando a bagagens da memória.

Com isso, as tecelagens passaram a ser agrupadas por cores e materiais, unidas através do crochê, criando um novo tecido feito de partes extraviadas que, agora, constituíam um todo com novas formas, volumes e reentrâncias: um esconderijo ou refúgio para abrigar tempos de solidão, para gestar formas de contar as histórias sobre os deslocamentos e desafios, sobre os abandonos que são memórias de um tempo, mas, também que podem servir de caminhos para recriar o presente.

Doutora em Artes pela Universidade de Barcelona, Espanha, Mestre em Educação e pós-graduada em Design para Estamparia pela Universidade Federal de Santa Maria, RS – Brasil, possui bacharelado e licenciatura em Artes Visuais pela mesma instituição. Atualmente mora nos Estados Unidos, onde trabalha como designer e artista visual participando de exposições em diferentes cidades no Brasil e na Europa, também no México e Estados Unidos.

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