MARIANA SAN MARTIN

SOBRE O TRABALHO

Proposta de exposição de 9 obras da série A.PART, que trata da desconstrução e reconstrução do eu frente às interferências que sofremos do meio, dos outros e de nós mesmos. O nome “a.part" vem da mistura das palavras “apart” (separado) e “a part” (uma parte) e remete tanto aos aspectos físicos das obras quanto aos subjetivos. Todas as obras partem de retratos feitos em grafite ou carvão sobre papel manteiga que, depois de prontos, são rasgado em vários pedaços para, então, serem remontados com sobreposições, desencontros e brechas por onde diversas intervenções visuais ficam à mostra.

A mistura de técnicas é a linguagem desenvolvida pela artista para a comunicar suas percepções acerca da construção de um ser. O ato de rasgar um retrato que, muitas vezes, leva dias para ser feito é a primeira parte de um longo processo criativo que cria um paralelo entre a produção artística e o próprio ser humano retratado, ambos constantemente influenciados pelo seu entorno - no caso da arte, pelas condições de trabalho, pelo estado do próprio artista, pelos materiais utilizados e pelas interações entre eles, adversidades em geral e, principalmente, pela aceitação de que a perda do controle sobre alguns processos é inevitável e bem-vinda. A ideia de que todos esses fatores constróem a obra final tanto quanto os gestos e a intenção original da artista remete diretamente à ideia de que o que constrói um ser humano é a permanente mudança e adaptação do seu próprio mundo interno frente às interferências e imprevisibilidades externas.

MINI BIO

Gaúcha, formada em Artes Visuais e Bacharel em Design Gráfico pela Universidade Federal de Pelotas em 2011/2, trabalhou durante anos na área publicitária antes de se voltar totalmente à arte.
Atualmente reside no Rio de Janeiro, onde tem se dedicado a explorar técnicas de pintura e ilustração buscando representar as complexidades e sutilezas humanas através de retratos.

Questões como de que forma as interferências e imprevisibilidades externas se relacionam com emoções e personalidade modificando e "reorganizando" o ser, os campos relacionados ao comportamento humano e as conversas entre os universos interno e externo de uma pessoa são o que move o trabalho da artista. As interpretações e concretizações visuais dessas observações vem através do uso de diferentes materiais na criação de suas obras: sobreposições, transparências, colagens, texturas e cores que, em sua confusão visual, interagem entre si e fazem parte intrínseca da representação de um interior humano cheio de camadas e sobreposições de sentimentos e experiências.

 

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