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TRABALHOS

Visitante Imaginária, 2013 - Fotoperformance

Políptico (série com 4 fotografias). Cadeira, peixe, tecido branco, salto vermelho e pérolas. Dimensões variáveis. Participante: Thiago Souza.

A fotoperformance nasce do tênue limiar de memórias silenciadas, ou ainda inventadas, matéria própria da poesia e do sonho, do delírio e da imaginação, procuro interligar, compor, arranjar, de modo que o improvável e o imaginado possam ser acontecimento e interligar-se de forma simultânea, através de uma performance orientada para a fotografia. O ponto de partida para a elaboração dessa performance orientada para a fotografia teve como elemento disparador a história do corpo de uma jovem que se suicidou em 1901, cujo corpo chegou ao Instituto Médico Legal de Paris e a quem os franceses se referem como a “Desconhecida do Sena”, uma espécie de mito criado em torno do suicídio de uma mulher com uma inquietante expressão de gozo no rosto e cujo busto feito em gesso, transformou-se em modelo para a confecção dos bonecos usados em treinamentos de socorristas e paramédicos, no mundo todo.
 

Mar à dentro, 2014 - fotoperformance 

Díptico (2 fotografias digitais). Ação iniciada a partir da série “Visitante Imaginária”(2013). Materiais: Tapete da vó, peixe e lenço branco. Dimensões variáveis. Participante: Lara Lima.

A fotoperformance foi realizada a partir da proposta desenvolvida na série "Visitante Imaginária", na qual realizo um convite para um artista de meu convívio performar a história da "Desconhecida do Sena", ou seja , pensando sobre esse corpo feminino que se entrega as águas, um encontro com a morte e com os desejos. O participante era convidado a despir-se e a segurar um peixe no alto do prédio, de modo a simbolizar esse encontro com a morte, os desejos e a sexualidade, mas também refere-se a história de mulheres que vieram antes de nós, os materiais como o tapete de minha avó são uma conexão com sua história, o modo como ela chegou aqui pelo mar, vinda da Síria com apenas 9 anos. Ainda é também uma reflexão sobre as violências vividas como mulher, já que a sexualidade da mulher era um tabu para sua geração e o sexo para ela era apenas uma obrigação do casamento.
 

Povo das águas, 2015 - fotoperformance

Tríptico ( 3 fotografias digitais). Materiais: Lenço colorido, roupas azuis, piscina de plástico e cap de marinheiro. Dimensões variáveis. Participante: Kadu Cardoso. 

A fotoperformance foi realizada como uma continuidade da fotoperformance “Mar à dentro”, ela se refere a ação de entregar-se as águas, lavar, molhar, banhar, são verbos que guiam as ações de encontro com o “povo das aguas”, com a memória de meus antepassados no anseio de um contato ainda que efêmero e metafórico com o mar e com minhas memórias. Penso que no mar é onde jazem os corpos daqueles que não conheci, daqueles que não chegaram até aqui, desse modo o banhar-se foi pensado e preparado como um ritual e uma homenagem aos meus mortos. Realizo uma sequência de ações pré-determinadas no alto de um prédio em uma pequena piscina de plástico.

Carregar os baldes pelas escadas, entrar na dimensão desse lugar tão alto no meio da cidade e diante de todos e ao mesmo tempo saber que talvez, não haja ninguém vendo, de fato sinto o tempo em cada passo, por entre os dedos do pé. O mar matéria fundadora da vida é também lugar de tormenta e morte na qual reencontro meus antepassados e descanso meus anseios, minhas fragilidades e meus fracassos, lugar onde repousam as dores e as perdas de algo que é anterior a minha própria existência. Do poema disperso em fragmentos anotados em cadernos dispersos, recorto e colo as palavras encontradas afim de que delas possam eclodir novas imagens e sentidos.
 

Ogó (instrumento de poder que remete ao falo), 2017 - fotoperformance

Série de 4 fotografias digitais. Ação iniciada com a série “Rompe-mato”. Materiais: Veludo azul, tinta vermelha e espada de São Jorge. Dimensões Variáveis. 

A fotoperformance nasce da ação de pintar meu corpo de vermelho, como uma ação ritual capaz de fundir minha existência as energias do Orixá Ogum, tomo meu corpo como elemento ativador de um estado alterado de consciência perante a manifestação das energias das entidades de esquerda relacionadas ao orixá. As entidades de esquerda protegem nosso corpo físico e tece seus destinos na Terra, também são mensageiros entre os planos material e espiritual, além de comandarem as energias referentes a sexualidade, a vida e a morte.

 

MINI BIO

Possui graduação em Artes Visuais (FAP- UNESPAR), especialização em Artes Híbridas pela UTFPR na área de concentração em teoria e crítica da arte pelo Departamento de Design e Artes (2019). Ministra oficinas de Artes para crianças e jovens. Em 2021, participou do edital nacional de Laboratório de Crítica pelo Plano das artes BSB-(DF), no mesmo ano foi selecionada para a residência artística pelo edital nacional Mulheres em Residência, pela galeria Ponto de Fuga em Curitiba, com apoio da Lei Aldir Blanc. Participou de Grupos de Estudos Laboratório de Imaginário Radical pela UFPR ministrado por Fabricia Jordão ,participou do Grupo de estudos em Fotografia pela Embap (PR), dentre outros eventos relacionados aos processos de criação e crítica em arte contemporânea. Em 2017 foi selecionada para o Núcleo de Artes Visuais do Sesi-PR, com orientação de Ricardo Basbaum, Ana Rocha e Beatriz Lemos, experiência de leitura de portfólio e debates sobre a profissionalização em Artes Visuais, considerando seus circuitos e redes. No mesmo ano foi aprovada com portfólio e série fotográfica para o evento nacional “Mulheres na Fotografia no Museu da Fotografia – Curitiba PR, com orientação de Anuscka Lemos. Participa de exposições coletivas e eventos de arte contemporânea desde 2013 teve suas séries de fotoperformances expostas pelo Circuito Universitário de Curitiba pela Bienal Internacional de Curitiba em 2013 e 2015 com trabalhos em performance, vídeo e fotografia.