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MARIA MARA, Brasília

Fotografia

TEXTO SOBRE AS OBRAS ENVIADAS 

 

 

“madre mar” (2019)

 

Na língua espanhola também dizemos "la mar", o que parece acentuar o seu simbolismo feminino e maternal. Um corpo que nasceu das águas e que é água de onde eu nasci. Mar que me faz sentir num lugar seguro quando me deixa boiar sobre as suas águas como se fossem os braços tíbios de uma mãe. Mar que me encanta, mas também me espanta: me faz chegar perto e me faz recuar. La mar é rasa e é profunda, transparente e opaca. Nessa série quis revelar a correspondência íntima e misteriosa entre esses corpos de onde se gesta e nasce a vida.

 

“memórias do mar” (2020/2021)

 

Foi com a coleta de algas marinhas que a botânica inglesa Anna Atkins (1799-1871) criou o primeiro livro de fotografia da história, situando o mar como protagonista na incipiente arte fotográfica por meio do processo da cianotipia. O seu trabalho serviu de inspiração para essa série.

 

Utilizando aquela mesma técnica, produzi imagens com os vestígios que foi deixando o mar numa praia no sul do Brasil, onde costumava viajar com a minha família. Ao mesmo tempo, fui colhendo alguns elementos de minha memória: um retrato que fiz da minha mãe; as águas do lago Paranoá, em Brasília, onde atualmente moro, e um caracol que encontrei na ilha de Paquetá, quando morava no Rio de Janeiro. Desse modo, quis trazer à superfície todo um mundo de imagens que habitam o interior de águas inatingíveis e desse mar, que assim como nós, vai criando sua própria memória.

 

MINI BIO DO ARTISTA

 

Maria Mara nasceu em Buenos Aires, Argentina. Atualmente vive e trabalha na cidade de Brasília, no Brasil. Por meio da linguagem fotográfica, a artista traz reflexões em torno da memória e do corpo, indagando sobre o próprio meio fotográfico no seu diálogo com a luz e com o tempo. Longe de pretender “congelar o momento”, Maria Mara acentua o caráter impermanente da fotografia, esse tempo inapreensível que escorre como a água, elemento que a artista também invoca. Estudou fotografia na Escuela de Fotografía Creativa Andy Goldstein, em sua cidade natal. Tendo morado no Rio de Janeiro, frequentou diversas oficinas de arte na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. A artista participou da individual “A luz é outro dos nomes que usa o tempo” na Galeria Savta, em Brasília (2021) e nas exposições coletivas “Todo barulho que transborda do meu silêncio”, com curadoria de Do Feminino na Arte, no Memorial Getúlio Vargas (2020); “Ainda Fazemos as coisas em grupo”, no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (2019); na “Vitrine” do Ateliê da Imagem Espaço Cultural (2018), e “Arte como campo de Jogo”, no Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho (2016), todas na cidade do Rio de Janeiro.

(Texto extraído do portfólio da artista)

 

Observação da organização:

Os trabalhos expostos na exposição virtual, podem sofrer alterações de tamanho para não ficarem prejudicados a visualização pela web.