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LEANDRO SERPA, Santa Catarina.

(conteúdo retirado do portfólio do artista)

TEXTO SOBRE AS OBRAS

 

A Monotipia no campo expandido: Uma Experiência com a Matéria.

 

O trabalho de Leandro Serpa, A Monotipia no campo expandido: Uma Experiência com a Matéria, tem sua origem em pesquisas que o artista realiza no campo gráfico, mais especificamente com a monotipia, desde o ano de 2007.

A monotipia tem demonstrado ser um campo aberto e amplo na trajetória do artista possibilitando a conjugação de fatores sensíveis, próprios das experiências do artista, com a dialética material, suscetível às transformações e ações no tempo e no espaço.

Na perspectiva da ação criativa do artista a presença das tensões e torções da matéria ‘viva’ de seu trabalho ditam a condução da marca, do traço e da mancha que consubstancia a ‘aparição’ do trabalho, da obra.

Uma linha tênue, uma presença, choca-se entre fatores aleatórios e as operações mentais, sedimentadas na cultura e na investigação crítica do artista. No limite a 'coisa’, dita obra, se afigura. A matéria vira coisa, a coisa vira obra, dado da investigação poética, obra.

 

O artista realiza uma experiência com a matéria. Uma investigação com a matéria da vida, dos objetos que é trespassado pelo tempo e pelo espaço na tensão entre as determinações materiais e as indeterminações da vida pode ser encontrado o núcleo gerador do trabalho do artista.

A Monotipia no campo expandido: Uma Experiência com a Matéria, reflete as investigações do artista a respeito das transformações, mutações e ‘erupções’ formativas que podem caracterizar a existência, frágil e fugaz, de indivíduos e coisas sobre o tecido reflexo da terra, lugar das coisas que morrem.

O trabalho habita uma tensão que pode ser localizada entre as tensões que envolvem a matéria, apenas aparentemente amorfa, o indivíduo artista e o tempo e espaço. Neste ponto da experiência, neste lugar, o artista reflete sobre a problemática do existir, do viver e habitar, através de uma relação aberta, expandida, que estabelece com sua matéria, fulcro central do acontecimento de sua obra.

Para tanto o artista absorve o tempo, é absorvido pelo espaço e sua ação reflexiva tensionada com as propriedades materiais de fluidos, tintas, metais, chuva, raios, vento, areia, sais, flores, frutos entre outros que provocam o acontecimento da coisa artística; é desta fricção, é deste ponto de sua presença, que o artista discute a sua experiência e sua existência.

A Monotipia no campo expandido: Uma Experiência com a Matéria, prova ser um lugar onde o artista marca a sua presença, sinal também da sua passagem, de sua fragilidade e morte. É neste lugar que a obra do artista acontece; na tensão entre existir e partir, entre estar e ir, entre tocar e ser tocado. O campo expandido se afigura em uma dimensão noturna que confabula a experiência do existir e criar refletida no saber dado em movimento que torna presente a dimensão do tempo e do espaço na experiência, na ação própria do existir, em uma marca, em um convite a vislumbrar o movimento, aleatório, dialético e sensível que é a vida.

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