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KIKA ANTUNES, Minas Gerais

Fotografia

SOBRE A SÉRIE

Exílio substantivo masculino

1. 1.
expatriação forçada ou por livre escolha; degredo.

2. 2.
por metonímia

lugar em que vive o exilado. 3. 3.

figurado (sentido)•figuradamente lugar longínquo, afastado, remoto.

4. 4.
figurado (sentido)•figuradamente

isolamento do convívio social; solidão.

O exílio (do latim EXSILIUM ou EXILIUM, de EXSUL, “pessoa banida”) é o estado de estar longe da própria casa (seja cidade ou nação) e pode ser definido como a expatriação, voluntária ou forçada de um indivíduo. Também pode-se utilizar as palavras, banimento, desterro ou degredo. Alguns autores utilizam o termo exilado no sentido de refugiado.

EXILIO é composto por 4 séries: • UMA JOVEM
• UMA MULHER
• UMA SENHORA
• UM HOMEM

Esta trabalho, em processo, iniciou um pouco antes da pandemia, mas agora se insere fortemente nela. Quatro personas/corpos habitam o espaço que hoje se tornou um exílio do mundo externo. São personas de um convívio diário porem não contínuo, no entanto, uma nova situação e a suspensão das relações sociais e de deslocamento alteraram a dinâmica. Como se comportam, que anseios tem estes corpos/mentes?
As imagens só desejam contar sobre os personagens, o que você verá é apenas seu.

Para a exposição apresento a serie “A JOVEM” que trata dos sonhos e projeções de uma adolescente. Em seu corpo, já amadurecido, ainda habita a criança, as ondulações da jovem e o desejo da adulta... Seus pensamentos ainda emaranhados e as vezes escuros, refletem a idéia de um mundo que é composto por um real, o aqui e agora restritivo, as dúvidas diante de um futuro desconhecido, o desejo de bem que se sobrepõe ao mal,
os medos e hesitações sobre os outros, a força do desejo de uma futuro feliz, um mundo de paz...
As cenas documentadas a noite no quintal da nossa casa, passam de simples fotografias brancas e pretas para telas carregadas de inscrição, cores e camadas de desejos. Cenas ora introspectivas, ora silenciosas e reflexivas, ora agitadas e perturbadoras.
Palavras surgem: mergulho, criança, força, desejo, coragem...
O desenho, ferramenta lúdica, surge como extensão da realidade. Elementos avançam a dimensão fotográfica, camadas que se misturam aos pensamentos enquanto elementos ficcionais transbordam para além da imagem. Linha e cor brincam com a memória e a liberdade da infância, revelam incômodos e perturbações da menina, rompem limites e medos da mulher imaginada.
O Exílio quer ser Lar.
O Lar é o corpo.

BIOGRAFIA
Mesmo estudando Comunicação Social até meados de 1991, foi na aventura da imersão em um laboratório e em cursos livres que descobri a fotografia. Desenvolvi trabalhos essencialmente no âmbito das artes cénicas, espectáculos e na fotografia documental.
Em 2016 após uma ruptura com a fotografia convencional e um período de questionamentos do próprio fazer fotográfico, passo a me dedicar integralmente à fotografia de autor. Pesquiso especialmente os temas das desimportâncias do mundo, os meus e a beleza que o esquecido e seu acaso evocam.
O que cada pessoa fará com estes achados é um mistério e um estímulo.
Busco continuamente os cacos e as vulnerabilidades que nascem das percepções que faço das minhas memórias pessoais, do desejos, bem como dos que me rodeiam, costuro-os e remonto-os na busca de reencontrar seus siginificados ou simplismente para poder contemplá-los de novo.

Enquanto o mundo sufoca as insignificâncias eu as liberto. Neste percurso onde recuperar é,
ao mesmo tempo, adornar e costurar e também apagar e recobrir, nascem criaturas, retratos, perguntas.

No meu quebra cabeça eu sou a peça que falta.

Fragmentos se perdem, eu os encontro. O tempo escapa, eu o respiro. Uma fenda se abre, eu mergulho.

(Texto extraído do portfólio da artista)

 

Observação da organização:

Os trabalhos expostos na exposição virtual, podem sofrer alterações de tamanho para não ficarem prejudicados a visualização pela web.