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JULIANA ARRUDA, São Paulo

Fotografia e bordado

Sobre “Troca”:

 

Em “Troca”, busco ressignificar a realidade, através de fotografias de texturas, do bordado e das palavras, que aparecem nas imagens.

As texturas foram escolhidas porque, a meu ver, são recipientes orgânicos e neutros de memórias, que possibilitam reconstruções. Tais imagens foram estruturadas usando um programa de edição e seguindo uma padronagem sugerida pelas próprias texturas. Com isso, surgiram outras imagens, que ganharam novas possibilidades de interpretações. Mas, entendi que tinha apenas fragmentos de possibilidades e senti a necessidade de incorporar o bordado às imagens.

Eu não sabia bordar e foi preciso aprender. Passei a integrar e conviver em um grupo de mulheres bordadeiras. Lá, bordávamos próximas umas das outras e, enquanto trabalhávamos, trocávamos e dividíamos experiências, conhecimentos e vivências.

A imersão no grupo de bordadeiras, enquanto aprendiz e observadora, me permitiu refletir e alinhavar novos significados para aquelas imagens reconstruídas. Como resultado da convivência e das trocas estabelecidas no grupo, surgiram as palavras que aparecem nas fotos. As palavras são apenas possibilidades de interpretação para as imagens, uma vez que as fotos, em geral, são abstratas, e permitem interpretações abertas pelo observador.

Na sociedade moderna, vivemos tecnologicamente conectados, mas cada vez mais desconectados das trocas e contatos pessoais. “A mídia digital nos afasta cada vez mais do outro” (Han, Byung-Chul, “No enxame: perspectivas do digital”, tradução de Lucas Machado, Petrópolis, RJ, Vozes, 2018 pg. 48). Com esse trabalho, entrelaçando a fotografia (totalmente ressignificada) e o bordado (como resultado da vivência e trocas com o grupo), busco reconectar e conectar histórias e memórias, criando novas perspectivas e possibilidades de interpretações para as referências originais.

A série Troca” é composta por 11 fotografias em preto e branco, concebidas (à exceção de uma) para serem apresentadas frente e verso.

Juliana Arruda 

1971, São Paulo/SP, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo. Artista visual, que faz uso da fotografia como linguagem principal e de outros elementos como vídeo, pintura, cerâmica, bordado e a palavra. Em seu trabalho, explora como temática o tempo, assim como a aceleração, a transitoriedade e a complacência existentes na sociedade contemporânea. A sua pesquisa artística lança mão de rugosidades, que são agregadas às imagens, como forma de criar resistência, remontar e ressignificar o olhar. Suas obras são um convite à latência e ao silêncio. 

(Texto extraído do portfólio da artista)

 

Observação da organização:

Os trabalhos expostos na exposição virtual, podem sofrer alterações de tamanho para não ficarem prejudicados a visualização pela web.