ANTES DO AMANHECER

 

A minha fé, nas densas trevas,

resplandece mais viva.

Mahatma Gandhi

 

O novo sempre despertou perplexidade e resistência, disse Freud. Estar frente às pinturas de Gabriel Grecco é se deparar com essa perplexidade contundente, com essa resistência que o artistase impõe em meio às adversidades que encontra para articular seus pensamentos e suas inquietações em um mundo que insiste em não se abrir para as mudanças, que insiste em apregoar velhas receitas para uma patologia contemporânea ressurgida das trevas: a intolerância. Não por acaso suas imagens são pródigas em “palavras de ordem” que reivindicam do espectador que reflita para além das questões técnicas da fatura pictórica, expõem, nas questões de nosso tempo, o enclave que se fez no seio da humanidade incapaz do diálogo, da alteridade, da solidariedade. Tudo tão burocrático, tão diminuto para necessidades prementes e demasiadas.

 

É preciso bradar o factual? Como nos mostra o artista, ainda é preciso protestar, replicar o discurso à exaustão, marcar posição. A vida não pode mais ser descartável, banal. Na era das emoções instantâneas, um minuto de reflexão parece custar caro, pois implica tomar o tempo que não se quer perder em meio a vicissitudes cotidianas. No entanto, ao nosso redor, transitam as mais cruéis barbáries, que não são afugentadas na escuridão de nossos olhos fechados, ao contrário, dormitam em nossos pesadelos.

 

Aqueles que tentaram “apagar” as imagens de Grecco não fizeram nada mais que credenciá-lo como artista contundente em sua fala inconformada com os equívocos que grassam nossos dias. Muito mais que o condenarem às suas próprias mesquinharias obscuras, resplandeceram sua potência artística, revelaram o quanto a arte pode ser impetuosa em sua singeleza. Antes do Amanheceré a esperança que temos em saber que o dia virá, que as trevas se perderão no tempo, mas que é preciso estar alerta, rejeitar a mordaça, escutar. Como disse Gandhi, o futuro dependerá daquilo que fizermos no presente.

 

Osvaldo Carvalho

MINI BIO

Gabriel Grecco nasceu em 1980 na cidade de Niterói, Rio de Janeiro e trabalhaem diferentes áreas da arte, como música, poesia, ilus- trações e pinturas. Autodidata desde cedo, aos 16 anos já arriscava suas pinceladas nas telas e oferecia suas charges e ilustrações para jornais e revistas regionais e nacionais. Se formou em publicidade e design e atuou 8 anos como designer e ilustrador em agências de publicidade.
Após largar a publicidade vem se dedicando somente as artes plásticas. Começou vendendo suas obras nas ruas de Niterói e Rio de Janeiro e após algum tempo começou a ser convidado para participar de alguns salões de arte pelo Brasil.

Em 2014 ganhou menção honrosa dos artistas mais promissores na IFAC (International Fine Arts Competition) na Art Fusion Gallery em Miami, em 2015 ganhou Prêmio Incentivo no Salão de Abril de Fortaleza e, em 2017, o primeiro prêmio no 4o Salão de Arte Contemporânea de Niterói. O artista participou de diversas exposições   coletivas.

Seus trabalhos abordam o comportamento do homem contemporâneo e das pressões psicológicas pelas quais ele passa, pelo excesso de informações e tecnologias que lhe são disponibilizadas no dia-a-dia. Do homem que se encontra constantemente em busca de uma resposta para onde a raça humana está indo, e porquê vivemos assim.

 

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