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FÁBIO PASSOS, Piauí

desenho

Em toda e qualquer sociedade, o corpo sempre esteve preso no interior de poderes que lhe impõem limitações e proibições; essa condição pode ser detectada em vários momentos da história da humanidade, mas, na modernidade e contemporaneidade, avolumaram-se os aparatos de esquadrinhamento do corpo por intermédio de uma maquinaria de poderes que tem por objetivo desarticulá-lo e recompô-lo a partir de normas estabelecidas. A partir dessa maquinaria, constrói-se uma compreensão binária da corporeidade humana: de um lado, os normais, os sadios, os belos; do outro, os anormais, os doentes, os feios. Esse binarismo edifica uma estrutura hierárquica de dominação cultural e ideológica de um grupo dominante sobre os demais. 

Os presentes trabalhos são frutos de uma pesquisa em andamento, em nível de Pós-Doutorado em Artes Visuais na Universidade Federal da Paraíba – UFPB, a qual tem como objetivo realizar uma pesquisa artística teórico/prática acerca dos corpos das pessoas com deficiências, buscando problematizar a questão do lócus do corpo antinormativo nas artes visuais, procurando responder às seguintes questões: O que é um corpo “normal”? Quais as implicações socioculturais de um corpo “anormal”? As pessoas com deficiências têm outra estética ou ser diferente é o normal? 

Assim, a reificação dos corpos nus das pessoas com deficiências, na poética do desenho, apresenta-se como elemento questionador e desestabilizador dos padrões normativos impostos pela sociedade no que tange à idealidade corporal estética. 

 

 

Fábio Passos é nascido no Estado do Rio de Janeiro, criado no interior de Minas Gerais e piauiense por opção. Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal de São João del-Rei, Mestrado e Doutorado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais e Pós-Doutorado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba. Atualmente é professor de Filosofia da Universidade Federal do Piauí, sendo autor de dois livros: O conceito de mundo em Hannah Arendt (2014) e A faculdade do pensamento em Hannah Arendt (2017). Além de se dedicar à Filosofia é artista visual. Faz das pesquisas em Filosofia Política uma mola propulsora na construção de seus projetos de artes visuais, harmonizando, assim, arte e pensamento pois, segundo Hannah Arendt, "A fonte imediata da obra de arte é a capacidade humana de pensar" (A condição humana, p. 210). Fábio Passos desenvolve seus trabalhos artísticos influenciado por temas políticos e da corporeidade humana não hegemônica. 

(Texto extraído do portfólio do artista)

Observação da organização:

Os trabalhos expostos na exposição virtual, podem sofrer alterações de tamanho para não ficarem prejudicados a visualização pela web.