EVANDRO MACHADO

Sobre as Araraunas

Vozes magnéticas se espalham no ar feito gripe. Nunca o céu foi tão cinzas em azul. Sempre flui as respirações de nossos, no peito dos outros, pois nosso sangue mar também é veia. Vermelho é sinal de parar, para sim e para não. Foi sinal de sangue, de mangue quente e macio. Carne viva pulsando em cio. Amarele o canário com o dourado que nunca existiu, com o verde do soja plantado num fundo infinito, produza um bandeira de palha singela e triste. Nisso adicione azul do flúor sugado pelas nossas crianças, com o verde azul do mar de garrafas. O orgulho está banguela mas as sapatilhas dos santos brilham. E não dá pra conversar com arara? Elas não falam?

O que falam são mitos antigos que servem para embrulhar peixe. Pobre dos lambaris dessa poça. São vastidões de vazios repletos de cercas, sempre preservando aquilo que nós não poderíamos fazer. Matar sapos pra fazer da ira dos céus desabar em águas! Não precisa mais de homens, ao final, as máquinas já podem se auto espionar. Nada de novo, é só a promessa da paz... e tudo novamente. Enquanto isso vamos nos revirar novamente no manto do cosmos. Cada estrutura agride o céu para prevenir a futura tempestade, e na contenção do incalculável, ao mesmo tempo, levantamos as mãos espalmadas e gritamos! Venha!! Venha!! Se os prédios são pretos é porque tua alma não feita só branca, como nos contos dos lençóis voadores.

Existe fantasma que usa bandeira ao invés de lençol? Sinto medo desses que assumem as cores... Querem o verde, amarelo e o azul entrelaçados num horizonte monótono. Nada lhes escapam a luz do olhar, como no seu buraco negro da pupila, onde no fundo do seu mais negro, encontro, me encontro imagem em reflexos infinitos. Não duvido de espelhos, mesmo dos quebrados...

Só de eus, e tús, o mundo já está cheio! Salvadores amontoam-se! De messias, o tempo está cheio também! Nem penso em quantos somos para não encabular os contadores. Em prever o futuro penso de arrumar olhos nas costas. Vão-se as calças e ficam-se os corpos! Quem veio primeiro, o ovo ou a arara? Elas gostam de fazer ninhos em pau chamuscado pela queima de memórias. São aves magníficas, terríveis e oportunistas. Violentas bicadas!

Quando berram temos a certeza de não saberem de nada. Mas berram muito mesmo!! Só repetem o que ouvem! Só repetem... As araras sabem que outras araras tem outras cores, mas na hora de rogar, elas rogam somente pelas cores de seu peito. Deus salve a américa índia!! Que todas as cores de todas as palavras, de araras, sejam possíveis nesta Terra dos Papagaios. Faz outra jura pra ver se volta a saliva.

 

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