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DULCE LYSYJ, Rio de janeiro

Desenho e Bordado

SOBRE OS TRABALHOS

Estes trabalhos fazem parte da série denominada Desnovelando, e foram resultantes de experiências de troca durante a residência artística no Despina: Onde desaguam os meus rios? e durante o curso de extensão UFF/UFRJ: Escritas que dançam, corpos que escrevem: Quem poda o seu jardim? Os trabalhos foram desenvolvidas no inicio da quarentena, onde me propus a partir de disparadores pensar os  afetos  decorrentes de fluxos, do imponderado, de fragilidades expostas, privações, limites e potências  deste período.

A   consequência  foi uma necessidade e tentativa de transmutação  desse contágio na obra, onde procurei através dos elementos como a bordado, desenhos em nanquim do mapa hidroviário do Rio de Janeiro, da  árvore vascular do Corpo  Humano e raízes das árvores que ocluíram o encanamento da minha casa e propiciaram alagamento do meu ateliê;  além de frotagem de  folhas buscadas no meu jardim,  trabalhar a composição e a construção das minhas imagens.

As obras  foram elaboradas em folhas Croquis-Canson, que eram da minha filha, guardado por mais de 10 anos, desde que ela deixou a faculdade de arquitetura, já amarelados pelo tempo, impregnando assim a fatura com memórias.  A execução  do trabalho neste  papel finíssimo em que qualquer deslize rompe o papel, faz um paralelo com a fragilidade da vida, principalmente neste período de Pandemia. 

MINI BIO

Dulce Lysyj é natural de Curitiba, vive no Rio de Janeiro onde trabalha como médica nefrologista.  Seu  interesse é na invisibilidade. Naquilo que normalmente não  está acessível ao olhar.  O seu fazer artístico é decorrente de inquietações da prática médica, da percepção do outro, da dor que ultrapassa a dor física e desdobramentos como afeto, memória e alteridade. Incorpora vivências da sua atuação profissional, transbordando-as em desenhos, tramas de costura, colagens, monotipias, fotografias e poesias.  Para tanto, utiliza elementos da medicina e materiais de uso hospitalar,  além de outros materiais impregnados de memória para criar uma poética em torno do outro e da cura.  Em uma linha de pesquisa, deseja tornar visível o invisível à partir da representação e apropriação da matéria orgânica, o tecido renal, reelaborando este mundo biológico, em padrões e tramas que se tornam desenhos e bordados. Esta percepção também motiva outras linhas de pesquisa em que  busca explorar os sentidos, a linguagem e o corpo. Sabendo que a obra de arte gera diferença e infinitas possibilidades, este período de pandemia possibilitou para a artista um diálogo e abertura para dimensões ainda inexploradas.

Frequentou ( até a pandemia)   a “Escola de Arte Visuais do Parque Lage” por mais de 10 anos.  Outras instituições, como “Escolasemsítio”, PUC, “Ateliê Oriente” e “Despina”, também contribuíram para a sua formação artística. Participou de exposições individuais, como “Academia Nacional de Medicina” e coletivas no “Paço Imperial”, “Feira Oriente”, Centro de Arte Hélio Oiticica” entre outros espaços.

Observação da organização:

Os trabalhos expostos na exposição virtual, podem sofrer alterações de tamanho para não ficarem prejudicados a visualização pela web.