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SOBRE

 

As obras da série Desnovelando o fio da dúvida, foram incialmente resultantes de experiências e trocas na residência arXs-ca no Despina: ONDE DESAGUAM OS MEUS RIOS? e durante o curso de extensão UFF/UFRJ: Escritas que dançam, corpos que escrevem: QUEM PODA O SEU JARDIM? 

Esta serie desenvolvidas desde o inicio da quarentena, onde me propus a par-r de disparadores pensar os afetos decorrentes de fluxos, do imponderado, de fragilidades expostas, privações, limites e potências deste período.
E se seguiram com outras experiências vivenciadas e outras dúvidas. 

A obra QUEM APAGARÁ SEU RASTRO? Nasceu de uma dor, para mim única, mas com a consciência que está sendo vivenciada por mais de meio milhão de pessoas.
Dor desde o momento da internação da minha -a, mãe de criação, até a no-cia derradeira, cerca de um mês depois, com uma ligação impessoal, dizendo: “Comparecer com urgência ao hospital portando os documentos de seu familiar, não podemos informar nada por telefone! 

Um numero a mais nas estaXs-cas de vi-mas de Covid 19. Mas, uma falta sem numero para mim! 

Era uma pessoa muito alegre e dizia que quando par-sse queria que o momento fosse fes-vo! Num dia cinzento, com chuva fina, só 3 pessoas testemunharam a sua despedida. Suas roupas perderam seu cheiro por serem lavadas a exaustão, para não ter risco de contaminação. Fechar uma conta bancária ou as redes sociais não é uma mera burocracia, é um ato de despedida! Cada objeto doado, cada móvel que passava pela porta do seu apartamento levava um pouco da sua história, do seu choro e do seu riso. 

No final respirar fundo, guardar suas lembranças ... Olhar para o vazio, apagar a luz e fechar a porta ! 

Todas as outras perguntas que se seguiram vieram de ques-onamentos vivenciados neste período de inquietações, de descobertas de potencialidades e aprendizado. 

A consequência foi uma necessidade e tenta-va de transmutação desse contágio na obra, onde procurei através dos elementos como o bordado, desenhos em nanquim e de frotagem de folhas colhidas no meu jardim, trabalhar a composição e a construção das minhas imagens. 

Pela dificuldade de aquisição de material no inicio da pandemia, as obras foram elaboradas em folhas Croquis-Canson, herdados da minha filha, há mais 10 anos, já amarelados pelo tempo, impregnando assim fatura com memórias. 

A execução do trabalho neste papel finíssimo em que qualquer deslize rompe o papel, faz um paralelo com a fragilidade da vida, principalmente neste período de Pandemia. 

Videopeformance

Projeto Marcas d’Água Vídeo foi realizado como resultado do programa de Residência ArXs-ca Despina-RJ, 2020 h}ps://www.blackbrazilart.com.br/arte-sem-fronteiras dezembro 2020.
Diante de tempos planetários desafiadores, 7 artistas intentam atravessar as paredes do microcosmos da casa. Reside nos gestos mínimos desse coletivo de mulheres um tipo de engajamento sensível com mundo, além do próprio invólucro humano. Entre encontros heterogeneos, o tempo dos fluxos, desvios e infiltrações revelam uma certa ecologia do lugar. Nesta viagem líquida, a casa revela um tanto de vida não-humana que ainda pulsa em comunhão com suas corpas.

 

MINI BIO

 

Dulce Lysyj é natural de Curitiba, vive no Rio de Janeiro onde trabalha como médica nefrologista. Seu interesse é na invisibilidade. Naquilo que normalmente não está acessível ao olhar. O seu fazer artístico é decorrente de inquietações da prática médica, da percepção do outro, da dor que ultrapassa a dor física e desdobramentos como afeto, memória e alteridade. Incorpora vivências da sua atuação profissional, transbordando-as em desenhos, tramas de costura, colagens, monotipias, fotografias e poesias. Para tanto, utiliza elementos da medicina e materiais de uso hospitalar, além de outros materiais impregnados de memória para criar uma poética em torno do outro e da cura. Em uma linha de pesquisa, deseja tornar visível o invisível à partir da representação e apropriação da matéria orgânica, o tecido renal, reelaborando este mundo biológico, em padrões e tramas que se tornam desenhos e bordados. Esta percepção também motiva outras linhas de pesquisa em que busca explorar os sentidos, a linguagem e o corpo. Sabendo que a obra de arte gera diferença e infinitas possibilidades, este período de pandemia possibilitou para a artista um diálogo e abertura para dimensões ainda inexploradas. 

Frequentou ( até a pandemia) a “Escola de Arte Visuais do Parque Lage” por mais de 10 anos. Outras instituições, como “Escolasemsítio”, PUC, “Ateliê Oriente”, EIXO arte e “Despina”, também contribuíram para a sua formação artística. Participou de exposições individuais, como “Academia Nacional de Medicina” e coletivas no “Paço Imperial”, “Feira Oriente”, Centro de Arte Hélio Oiticica” entre outros espaços.