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TRABALHOS

Série "Folie Circulaire"

Folie Circulaire, na tradução livre, festa ou loucura circular, foi um termo médico surgido no final do século XIX que então denominava os ciclos de

mania, de excitação e depressão em pacientes, que atualmente recebem o diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar (TBA).

É uma série fotográfica realizada entre 2020-21 na qual busco elaborar algumas das minhas questões psíquicas- a partir da minha condição com o portadora do TBA - e da experiência como mãe de três filhos. Em tempos de pandemia, a produção desse corpo de trabalho foi marcada por solidão, reclusão, distanciamento físico e as indagações que nos atravessam Soma-se à produção eventos biográficos e existenciais, que me levam a questionamentos de toda ordem para além do eu o que de mim está contido em meus filhos? Folie Circulaire' busca incitar algumas interpretações destas dúvidas, representar a dinâmica cíclica de estados emocionais que se alternam e que dão lugar uns aos outros para outras visibilidades e experiências a partir da minha condição de individuo, mas que está em relação com o coletivo, construindo um ponto de convergência entre o eu e a alteridade Distorções, anestesiamentos, anormalidades e alterações são as premissas das quais utilizo para construir as imagens fotográficas dessa série. A edição busca visibilizar as alternâncias cíclicas destes estados- entre a festa e a loucura criando um olhar móvel e pendente que oscila entre o alto e o baixo sem perder de vista o percurso entre um e outro.

Sem título - 2020/2021
Folie Circulaire 1. Fotografia digital, 1x1 m.

Sem título - 2020/2021

Folie Circulaire 2. Fotografia digital, 1x1 m.

Sem título - 2020/2021

Folie Circulaire 3. Fotografia digital, 1x1 m.

Série "Incubus"

"Era sempre noite quando ele entrava no nosso quarto, sentava na minha cama enquanto eu congelada segurava o ar, fingindo que dormia e esperando I aquilo acabar. Quatro décadas depois, ainda hoje, quando me deito sinto sua presença, o colchão afundando, meu corpo jaz paralisado, agora pelo meu inconsciente. Vultos e sombras passeiam pelo meu quarto. Há muito não sonho, não por muito tempo. Meus sonhos são sempre interrompidos por delírios frenéticos, por momentos de pura escuridão, por monstros que vieram de fora e agora fazem parte de mim. Há muito corro na floresta, perseguida pelo que me tornei após ser atacada pelo Incubus."

Ao longo dos tempos e nas variadas culturas, a violação sexual de crianças meninas e jovens mulheres é socialmente encoberta por uma intrincada criação de estórias e lendas que expurgam as responsabilidades dos criminosos que a praticam. Seres extraterrenos em pactos demoníacos são formulados como os bodes expiatórios dos reais abusadores de came osso. Pesadelos que não acabam quando abrimos os olhos na vigília: nem na arte, nem na vida.

 

Sem título - 2021/2022
Incubus 1. Fotografia digital, 1,5x1 m.

Sem título - 2021/2022

Incubus 2. Fotografia digital, 1,5x1 m.

Sem título - 2021/2022

Incubus 3. Fotografia digital, 1,5x1 m.

MINI BIO

Chris Bueno (1974-) nascida em São Paulo (SP), reside e trabalha em Cotia - SP. É artista visual e sua produção concentra-se em fotografias digitais, cujo fio condutor da pesquisa é sua experiência subjetiva como paciente psiquiátrica diagnosticada com transtorno afetivo bipolar. Essas investigações artísticas se associam ao estranho e ao inconsciente, através da utilização de técnicas fotográficas experimentais com filtros, luzes e distorções. A artista busca com tais intervenções uma passagem ao seu universo intimo e pessoal, sobretudo enquanto mãe, jogando luz em questões sobre saúde mental e tabus que tal tema envolve.