CAROLINA KASTING, Rio de Janeiro.

(conteúdo retirado do portfólio da artista)

ANTHROPOS MÓRFICOS
 

A proposta é dar continuidade a investigação de antropomorfia dos objetos que a artista coleta na rua para realização de exposição fo- tográfica com desdobramento em performance. A fala poética da obra consiste na abstração do corpo e antropomorfização do objeto.

Do próprio termo antropomórfico foi cunhado o título que traz como significado, Antrophos de homem, humano, e Mórficos, em senti- do duplo e ambivalente, as partes que constituem um todo, e aquilo que é do mundo de Morfeu, dos sonhos.
 

O corpo, ao ser afetado pelo objeto mundano resignifica o humano, cedendo, assim, o protagonismo ao objeto que o afeta e o reconstrói. O trabalho propõe quebrar o paradigma corpóreo, e dar ao objeto voz de sujeito. A tensão entre objeto/sujeito e corpo, dá a este características de Morfeu, do imaterial. A ação, através desses afetos, possibilita a construção de um corpo liberto da materialidade, que passa a ser devir, substrato fluido, imanência.

A obra propõe um jogo de significantes e significados, um corpo sem corpo, um corpo sem partes, um corpo sem orgãos (CsO), que marca a referência teórica da pesquisa, o texto Corpo sem Orgãos, de Deleuze e Guattari. A artista contrói através dessa fricção entre corpo e objeto, uma dualidade da ordem performativa, transitando entre o impalpável e a visibilidade, o híbrido e o etéreo. Tanto a exposição fotográfica como a ação performática, investiga o corpo sem orgãos como horizonte, não como meta, portanto, as imagens estáticas remetem a ação, ao movimento, e a ação performática ao imagético.

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