paralela EIXO 2025
agendaa
BETÂNIA SILVEIRA
Florianópolis, Brasil.
participa da exposição virtual
mini bio
Artista e professora pesquisadora da cerâmica e da performance a partir de 1988.
Vive e trabalha em Florianópolis, desde 1991. Com a argila, a cerâmica e outros materiais elabora obras que vão da escultura à instalação, utilizando também performance, vídeo, fotografia, hipermídia e desenho. De questões cruciais retira conceitos centrados nos dilemas sociais, culturais e existenciais, com ênfase na defesa da natureza e da integridade do humano, portanto o ciclo vida-morte se faz presente em sua obra. Com exposições individuais e coletivas no Brasil, Argentina, Cuba, Suécia, Portugal, Turquia e Itália, Betânia conquistou prêmios e bolsas de incentivo durante seu percurso.
sobre
Permanece a inquietação...
Frente à turbulência de tempos carregados de perigo iminente, injustiça e crueldade, as reações anunciadas precisaram se recolher.
Tudo passou a ser restrição, vida concentrada, comedimento. Ao mesmo tempo, a tristeza de quem busca notícia de seu povo, mas só encontra desolação e dor, fermenta a revolta.
Diante de situações sociais opressoras a imaginação é uma aliada contundente da indignação e da ação de resistência e pode ser grito e levante. O imaginário é capaz de se corporificar em ato de rebeldia e ainda que, de forma simbólica, movido por desejos e contradições, ser gesto que imponha a recusa de se deixar sucumbir diante da opressão vigente.
Para muitos, a solidão fez da casa o casulo, espaço de intimismo e transformações. O entorno mais próximo e familiar passou a ser a origem dos perceptos e afetos, sombras para o desenho, imagem ação para o fazer poético.
Com o tempo expandido, dois projetos, duas linguagens diferentes passam a engendrar um diálogo. Traçadas antes pelo sol que projeta a cerca viva em latência na parede da minha casa, as linhas do desenho foram parar em retalhos de tecidos, guardados de minha mãe e minha avó. Nelas, natureza e origem se entrecruzam nos rastros do pigmento.
Paralelamente, dando sequência a uma pesquisa de cunho identitário, realizada na argila modelada com a técnica ancestral Tupi-Guarani, surgem formas casulóides. Com elas o interesse específico pelas Mariposas, seres da invisibilidade, comumente mal vistas, mas que, na realidade, são responsáveis pela polinização do Planeta e sua biodiversidade. As mariposas são da mesma forma, muito relacionadas popularmente á figura da mulher: a bruxa, a prostituta, a guerrilheira, mulheres que, de certa forma, sobrevivem há milênios no apagamento e resistem.
Diante deste quadro de apagamentos estão nossas origens indígenas e, principalmente, nossos povos originários que também resistem há mais de 500 anos e na contemporaneidade se levantam. Unidos retomam as rédeas de sua luta pela Terra e por seus direitos, movimento que é puro rebrote.
Ancestralidade e insurreição movem este trabalho...
Assista o vídeo depoimento da artista










