BERNARDO SIMBALISTA

SOBRE O TRABALHO

Às margens

Esse ensaio se circunscreve no litoral da Baía de Guanabara, uma área notoriamente degradada da paisagem do Rio de Janeiro. A ideia é focar nos objetos lançados ao mar e que são trazidos às margens, seja pela ação das águas ou de pescadores. Esses objetos são os restos, as sobras descartadas da sociedade de consumo e que de alguma forma se mesclam à natureza. Exemplo: uma garrafa que penetra no solo queimado de uma das praias; um recipiente que adentra o mangue pelo rio; uma perna de um boneco que curiosamente se assemelha ao mesmo material das conchas na areia.

A maneira como a paisagem absorve essas sobras criando novos tecidos tem motivado essa minha caminhada desde 2015. Lanço um olhar mais “de perto” para essas tessituras, em contraste aos enfoques geralmente mais amplos dessas paisagens. As fotografias aqui registradas são como “naturezas-mortas”. É partir de um enfoque mais detalhista é que descubro traços e vestígios dessa constante mutação da natureza diante da intervenção humana-industrial.

MINI BIO

Bernardo Simbalista é formado em Cinema (Comunicação Social) pela Universidade Federal Fluminense (2005) e mestre em Educação, Cultura e Comunicação pela FEBF/UERJ (2017). Dirigiu sete curta – metragens com exibição em festivais e mostras pelo Brasil. Atua no mercado como câmera e editor em produtoras do Rio. Atuou também na área de ensino, em ONGS como Cufa e Ação da Cidadania.

Seu interesse pela fotografia foi despertado na faculdade quando adquiriu sua primeira câmera de filme. Através dela realizou seu primeiro curta - metragem Urbis: uma colagem de fotos do centro do Rio de Janeiro. Profissionalmente também já atuou na área de fotografia de arquitetura e de produtos, com publicações em revistas em revistas especializadas (Casa Cláudia, Imobiliare). ​​

 

Minha produção artística é voltado tanto para a fotografia still quanto para o vídeo, por vezes no entrelaçamento entre as duas. Meu primeiro curta-metragem (Urbis) é uma colagem de fotografias do centro do Rio. Ali meu olhar foi atraído pelo ar “fantasmagórico” das ruas, igrejas e monumentos seculares do Rio. Em 2005, dirigi Dia de finados, rodado em DVCAM sobre um estrangeiro que vai exumar o corpo de sua mãe no Rio de janeiro. No mesmo ano, realizei o curta metragem de animação: A Sombra, animação em looping sobre um vulto que atormentava o sonho de um jovem. Em 2012 essa temática do medo e da morte volta no curta “A Morte do Leiteiro”, livremente inspirado em uma poesia narrativa de Carlos Drummond de Andrade.

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